top of page

O barril em chamas, e a conta no colo do produtor brasileiro

  • Writer: Rubens Souza
    Rubens Souza
  • Mar 9
  • 3 min read

Segundo dados citados pelo MDIC e reproduzidos pelo Canal Rural, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho vão para países do Oriente Médio.
Segundo dados citados pelo MDIC e reproduzidos pelo Canal Rural, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho vão para países do Oriente Médio.

A guerra no Oriente Médio já deixou de ser uma crise distante, agora ela bate no tanque do trator, no frete, no fertilizante e no caixa do agronegócio brasileiro. Nesta segunda-feira, 9 de março, o petróleo disparou e o campo entrou em estado de alerta.


A guerra escalou, o mercado entrou em pânico, e o petróleo virou pólvora financeira. Nesta manhã de 9 de março, o Brent saltou cerca de 25% e chegou a US$ 119,50 por barril, no maior estresse desde 2022, com medo de cortes de oferta no Oriente Médio e de uma disrupção prolongada no Estreito de Ormuz, um dos gargalos mais estratégicos do planeta para energia. Não é exagero dizer que o barril virou um míssil apontado para a inflação global.


E quando o petróleo explode, o agro brasileiro não assiste de longe, ele paga a conta. A própria CNA já afirmou que a escalada do conflito pressiona os preços internacionais do petróleo e tende a elevar o valor do diesel no Brasil. Em ofício ao governo, a entidade pediu elevar a mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 17% justamente para amortecer o choque. No começo da reação do mercado, o Brent já havia alcançado US$ 84, com alta de cerca de 20% desde o fim de fevereiro. Agora, com a nova disparada desta segunda, o alerta ficou ainda mais grave.


O ponto mais cruel é que o diesel é a veia do agronegócio. Ele move colheitadeira, caminhão, bombeamento, logística e parte da armazenagem. Segundo análise publicada no Canal Rural, a defasagem do diesel brasileiro frente ao mercado internacional girava em torno de 58%, podendo chegar a 64% nas refinarias da Petrobras, e a paridade exigiria alta superior a R$ 2 por litro nas refinarias. Em português claro, o campo já estava sentado em cima de um barril de pressão, e a guerra só acendeu o fósforo.


Mas o estrago não para no combustível. A CNA aponta que o conflito mexe com ureia, frete, seguro marítimo, oferta global e volatilidade. O documento destaca que o Oriente Médio responde por cerca de 20% do comércio internacional de petróleo e gás natural, por 30% dos fertilizantes comercializados no mundo e por 25% a 35% do comércio global de amônia e ureia. Também observa que 60% a 80% da produção dos nitrogenados vem do gás natural. Resultado, gás mais caro vira fertilizante mais caro, e fertilizante mais caro corrói margem no campo.


No caso do Brasil, há uma ferida adicional, a dependência de insumos e da logística internacional. A CNA classifica fertilizantes como a cadeia mais exposta ao choque geopolítico, exatamente por concentrar risco em gás natural, ureia, frete e seguro marítimo. A entidade também mostra que as importações do agro brasileiro vindas do Irã somam cerca de US$ 11,9 milhões, sendo 79% fertilizantes, sobretudo ureia. É um valor relativamente pequeno em termos absolutos, mas o problema real não é só o Irã, é o efeito dominó do conflito sobre toda a formação global de preços.


Do lado das exportações, o Oriente Médio continua sendo um cliente importante, e qualquer turbulência logística pode doer. Segundo dados citados pelo MDIC e reproduzidos pelo Canal Rural, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho vão para países do Oriente Médio. A região também absorve aproximadamente 30% das exportações de carne de frango, 17% do açúcar e 7% da carne bovina do Brasil. Ou seja, não se trata apenas de custo de produção, trata-se também de risco comercial, atraso em rotas, prêmio de seguro e rediscussão de embarques.


A mesma análise da CNA mostra que o Irã, sozinho, não é gigantesco para toda a pauta brasileira, responde por cerca de US$ 3 bilhões das exportações totais do Brasil, algo como 0,8%, mas tem peso muito concentrado no agro. Das vendas brasileiras ao Irã, cerca de 99% são do agronegócio, com destaque para milho, soja e açúcar. Isso significa que o efeito direto pode ser localizado em algumas cadeias, mas o efeito indireto, via petróleo, frete e fertilizante, é muito mais amplo e muito mais perigoso para o produtor brasileiro como um todo.


Nos mercados agrícolas globais, a contaminação já começou. A Reuters informou nesta segunda que o óleo de palma da Malásia subiu 9%, o óleo de soja em Chicago atingiu o maior nível desde 2022, o trigo foi ao maior patamar desde junho de 2024 e o milho chegou à máxima em 10 meses. Isso revela o tamanho do terremoto, energia cara puxa biocombustíveis, mexe com grãos, pressiona custos e redesenha margens. O agro entra num corredor estreito, vender pode até ficar melhor em algumas commodities, mas produzir e escoar fica mais caro.


Fique por dentro do que acontece no mundo do Agronegócio:https://chat.whatsapp.com/H5YJGZcfbI1DHTKy7jgOC3?mode=gi_t

Abra a sua conta na XP Investimentos e tenha a Assessoria da Vale Investimentos: https://cadastro.xpi.com.br/v3/cadastro/nome?cb=1.1&assessor=A98642



Comments


A Vale Investimentos é uma Assessoria de Investimentos, credenciada à XP Investimentos e que atua no mercado financeiro. Nosso objetivo é assessorar os nossos clientes com excelência e independência, focando em preservação de capital, geração de valor e perpetuação patrimonial.

Produtos e Serviços

Quem Somos

Blog

Contato

Política de Cookies

Política de Privacidade

  • Instagram
  • LinkedIn

Vale Capital Assessores de Investimentos LTDA, inscrita sob o CNPJ: 63.636.384/0001-53 é uma empresa de Assessoria de Investimento devidamente registrada na Comissão de Valores Mobiliários na forma da Resolução CVM 178/23 (“Sociedade”), que mantém contrato de distribuição de produtos financeiros com a XP Investimentos Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A. (“XP”) e pode, por conta e ordem dos seus clientes, operar no mercado de capitais segundo a legislação vigente.

Na forma da legislação da CVM, o Assessor de Investimento não pode administrar ou gerir o patrimônio de investidores. O investimento em ações é um investimento de risco e rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Na realização de operações com derivativos existe a possibilidade de perdas superiores aos valores investidos, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais.

A Sociedade poderá exercer atividades complementares relacionadas aos mercados financeiro, securitário, de previdência e capitalização, desde que não conflitem com a atividade de assessoria de investimentos, podendo ser realizada por meio da pessoa jurídica acima descrita ou por meio de pessoa jurídica terceira. Todas as atividades são prestadas mantendo a devida segregação e em cumprimento ao quanto previsto nas regras da CVM ou de outros órgãos reguladores e autorreguladores. Para informações e dúvidas sobre produtos, contate seu assessor de investimentos. Para reclamações, contate a Ouvidoria da XP pelo telefone 0800 722 3730.

2026 Vale Investimentos | XP.  By AVOID GROUP

bottom of page