Reforma Tributária na Prática: O que Muda para a Sua Empresa em 2026 e 2027
- Alison Kaminski

- Apr 24
- 5 min read
Por Alison Kaminski | Consultor financeiro

Se você tem uma empresa no Brasil, provavelmente já ouviu falar da Reforma Tributária. Mas convenhamos: entre tantas siglas, datas e promessas de simplificação, é difícil saber o que realmente muda, quando muda e o que você precisa fazer agora.
A boa notícia é que 2026 ainda é um ano de transição. A má notícia é que existe um prazo crítico se aproximando — setembro de 2026 — e quem não tomar uma decisão a tempo pode ser prejudicado financeiramente em 2027 sem nem entender por quê.
De onde veio essa reforma?
O sistema tributário brasileiro é famoso por ser um dos mais complexos do mundo. Eram cinco impostos diferentes incidindo sobre produtos e serviços — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — cada um com suas próprias regras, alíquotas e formas de recolhimento. Uma bagunça que consumia tempo, dinheiro e paciência de qualquer empresário.
A Reforma Tributária, aprovada pela Emenda Constitucional nº 132 em 2023 e regulamentada ao longo de 2024 e 2025, veio para simplificar esse sistema. A ideia central é substituir esses cinco impostos por apenas dois novos: o CBS e o IBS.
O que são CBS e IBS?
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é o novo tributo federal. Ele vai substituir o PIS, o COFINS e parte do IPI.
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é o novo tributo estadual e municipal. Ele vai substituir o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).
Juntos, os dois formam o que economistas chamam de IVA Dual — um modelo usado em vários países do mundo e que tem como principal vantagem evitar a tributação em cascata, ou seja, cobrar imposto em cima de imposto ao longo da cadeia produtiva.
A alíquota estimada dos dois somados fica em torno de 26,5% sobre o valor das operações. Esse número assusta à primeira vista, mas é preciso entender que ele funciona de forma diferente dos impostos atuais — com um sistema de créditos que evita a dupla cobrança.
E em 2026, o que já está acontecendo?
O ano de 2026 é chamado de "ano de testes". Isso significa que as empresas fora do Simples Nacional — aquelas no Lucro Real ou Lucro Presumido — já precisam destacar nas notas fiscais os valores de CBS (0,9%) e IBS (0,1%). Mas esses valores não representam carga tributária adicional: eles são compensados com os impostos atuais, servindo apenas como ensaio do novo sistema.
Para as empresas do Simples Nacional, 2026 não traz mudanças imediatas no pagamento. Mas — e aqui está o ponto mais importante desta postagem — existe uma decisão obrigatória a ser tomada até setembro de 2026 que vai definir como sua empresa será tributada a partir de 2027.
O prazo de setembro de 2026: entenda por que ele é crítico
Em setembro de 2026, as empresas do Simples Nacional precisarão escolher entre duas opções para o ano seguinte:
Opção 1 — Permanecer no Simples Nacional tradicional Seus tributos continuam recolhidos de forma unificada pelo DAS, com as alíquotas do Simples. Mais simples, menos burocracia. Porém, o crédito tributário que você gera para os seus clientes PJ será menor — o que pode te tornar menos competitivo em negociações entre empresas.
Opção 2 — Aderir ao Simples Híbrido Neste modelo, você continua pagando IRPJ, CSLL e outros tributos pelo DAS, mas recolhe CBS e IBS separadamente, no regime regular. Isso gera mais crédito para os seus clientes — o que pode ser decisivo se você vende principalmente para outras empresas. A desvantagem é que a carga tributária tende a ser maior.
Qual a melhor opção? Depende do perfil do seu negócio. Mas uma coisa é certa: você precisa simular os dois cenários antes de setembro, com apoio de um contador ou consultor financeiro, para não tomar essa decisão no escuro.
E atenção: para ter direito a fazer essa escolha, sua empresa precisa estar em dia com os tributos. A Receita Federal já começou a notificar empresas com débitos no Simples, justamente para organizar quem tem ou não direito de participar dessa transição.
O impacto que poucos estão percebendo: o crédito tributário
Aqui está um ponto que merece atenção especial para quem vende para outras empresas.
No novo sistema, quando uma empresa compra um serviço ou produto de outra, ela pode aproveitar o crédito de CBS e IBS pago na operação anterior. Isso reduz o imposto que ela mesma tem a pagar.
O problema é que empresas do Simples Nacional geram crédito menor do que empresas no regime geral. Na prática, isso significa que um cliente PJ no Lucro Presumido ou Real pode preferir comprar de um fornecedor fora do Simples, porque vai recuperar mais imposto. É como se comprar de você "custasse mais caro" para ele, do ponto de vista fiscal.
Isso pode afetar diretamente a competitividade de pequenas empresas no mercado B2B — e muitos donos de negócio ainda não perceberam esse risco.
O cronograma da transição: o que vem depois
A reforma não acontece de uma vez. A transição é gradual e vai até 2033:
De 2026 a 2028, o sistema está em fase de testes com alíquotas reduzidas. De 2029 a 2032, as alíquotas de IBS e CBS sobem progressivamente enquanto os impostos antigos (ICMS, ISS, PIS, Cofins) vão sendo reduzidos. Em 2033, os tributos antigos são extintos e o novo sistema entra em vigor de forma completa.
Isso significa que você tem tempo para se adaptar — mas não tem tempo para ignorar o assunto.
O que fazer agora
Independentemente do tamanho da sua empresa ou do regime tributário em que você está, existem três passos práticos para não ser pego de surpresa:
Primeiro, entenda em qual regime você está hoje e como a reforma impacta especificamente o seu tipo de negócio e segmento.
Segundo, simule cenários com seu contador ou consultor financeiro antes de setembro de 2026, comparando o Simples tradicional com o Simples Híbrido e avaliando o impacto no seu fluxo de caixa e na competitividade com seus clientes.
Terceiro, verifique se seus sistemas de emissão de nota fiscal já estão atualizados para incluir os campos de CBS e IBS — isso já é obrigatório para empresas fora do Simples e chegará para todos em breve.
A Reforma Tributária é real, já está em andamento e vai impactar todas as empresas brasileiras ao longo dos próximos anos. O erro mais comum é pensar que, por ser do Simples Nacional, você está imune. Não está — apenas tem um prazo diferente e uma decisão estratégica importante a tomar.
Setembro de 2026 pode parecer distante, mas na velocidade em que os meses passam na rotina de um empresário, ele chega rápido. Quem se preparar com antecedência vai poder escolher com calma a melhor estratégia. Quem deixar para a última hora vai escolher no susto — ou nem vai poder escolher.
Não deixe que uma decisão que você não tomou defina o futuro tributário da sua empresa.
Ficou com dúvidas sobre como a Reforma Tributária impacta o seu negócio especificamente? Entre em contato — é exatamente para isso que um consultor financeiro existe.



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